(Sorriso de Criador do Mundo)
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Nos sonhos, ele o chama. Seu Fantasma da Ópera particular; sem rosto deformado, mas de intenções suspeitas. E, é claro, o sorriso de criador do mundo.
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Prolog
O sol batia forte sobre as páginas do livro, como se quisesse cegá-lo e impedi-lo de saber o fim. E isso fazia com que Touya amaldiçoasse um pouco mais o universo por, em seus raros momentos de descanso e silêncio eterno em casa, alguém – ou alguma coisa – atrapalhá-lo na leitura que ficava cada vez mais interessante. Suspirou, retirando os óculos de leitura, e encarando de relance a janela aberta que trazia uma brisa refrescante.
Não era comum esse tipo de sol na Alemanha, principalmente em Geist¹, cidade mediana, de tecnologia avançada assim como sua medicina psiquiátrica avançada, que em grande parte de seus dias era apenas nuvens e chuvas.
Mas não em seu dia de prazer e silêncio e solidão. Ah, não no dia em que ele conseguiu ficar sozinho por um dia inteiro, sem o estresse de seus dois irmãos barulhentos e pouco cultos, de seu pai ocupado, e das poucas voltas de sua mãe para casa graças aos variados remédios tarja preta, as nuvens tinham de desaparecer e dar lugar ao sol que sua pele e seus olhos nunca viram.
Suspirou, batendo a nuca no estofado agora quente do sofá de couro. Acabaria ganhando uma bela queimadura ali, tinha certeza. Encarou o livro em suas mãos e deu um gemido de derrota. O dia não estava para a leitura.
E então, do nada, a campainha tocou, afastando o silêncio confortável da casa. Seus olhos passaram pela sala em que estava e a de estar e perdeu-se no carvalho preto da porta. Além dele estaria um jardim mediano, e metros além, o portão de ferro. Em pensamento, imaginou-se fazendo todo esse percurso e logo ficou com preguiça. Observou o teto branco, sem ânimo e fechou os olhos, com sono.
A campainha mais uma vez tocou, dessa vez aparentando impaciência. Touya então teve de escolher entre a preguiça e a quebra do silêncio – ambos tão sagrados para ele como a Bíblia para um beato. Mais um toque e, amaldiçoando aquele que estivesse chamando-o, arrastou-se até a porta, seus chinelos fazendo um barulho desconfortável ao deslizarem pesadamente pelo chão. Quando chegou até a porta e abri-la, acompanhado de sua trilha sonora irritante, porém, não encontrou nada além do vazio.
A rua, iluminada de maneira graciosa pelo sol forte, parecia ser monocromática. Amarelo em todos os cantos – desde o asfalto até as janelas. As sobrancelhas de Touya levantaram-se lentamente, até que ele sacudiu sua cabeça. Talvez o puro silêncio estivesse deixando-o louco. Nada que um e-mail para uma amiga distante não melhore isso, pensou. E sem olhar novamente para a rua de uma cor só, fechou a porta.
Passou as mãos pelo cabelo, dando um longo bocejo e alguns passos. Mas, antes de sequer passar para a sala principal, a campainha tocou novamente. Um olhar suspeito passou por seu rosto e se dirigiu à porta e além dela. O som ressurgiu da rua, uma vez mais. Com um sorriso no rosto, Touya apenas deu de ombros. Foda-se. Já fui uma vez, não irei mais.
Voltou a arrastar seus pés pelo cômodo, passando para o outro em que seu livro jazia, até que, entretanto o som de passos, trocando de lugar com a campainha, foi ouvido. Engoliu seco, alarmando-se. Não que fosse incomum o som de alguém caminhando no andar de cima, porém não havia ninguém ali, pelo que ele se lembrava, e ninguém em sua família tinha passos tão marcantes que pareciam estar bem ao lado dele.
Num ato idiota e impensado, Touya gritou:
- Olá? – e os passos pararam por segundos, apenas. E quando retomaram, pareciam mais fortes e pesados que antes. Podiam até derrubar a casa, se quisessem (e ele não estava raciocinando bem, como o grito dado). Hesitante, tentou mais uma vez: - Mãe?
E um calafrio percorreu sua espinha. Qualquer um, sussurrou, menos ela. Não, tudo menos ela. Num ímpeto idiota, e mais uma vez sem pensar, caminhou até a escada, na esperança de conseguir observar alguma forma que se assemelhasse a alguém que conhecia.
Não havia nada.
E nem passos também.
Segundos que eram minutos passaram, e ele não os ouviu novamente. Eles cessaram e a campainha também, ao que tudo indicava. Deu um suspiro nervoso e aliviado, ao mesmo tempo, enquanto fechava os olhos e acalmava o seu coração, que batia rápido demais para gostar.
No entanto, ao abrir os olhos, viu-se no corredor do andar de cima. Só que, dessa vez, ao invés das cinco portas que levavam aos quartos da família e do de hóspedes, havia apenas um. A última das portas, no fim do corredor, brilhava convidativa. Estou mesmo em minha casa?, perguntou a si mesmo, o coração voltando a tentar sair de seu peito. Hesitante, como se sentisse alguma presença maligna no único cômodo – e aquele que ele sempre se recusara a entrar, até mesmo quando ela não estava –, Touya deu alguns passos para trás, procurando com seus pés a escada, mesmo que pudesse cair.
Não havia.
Atrás dele, uma parede vermelho-sangue, que parecia crescer a cada vez que olhasse mais para ela, havia. Imponente, instigava-o a ir para frente, como se aumentasse em volume, empurrando-o. Lutou por certo tempo, mas assim que todos os detalhes da fechadura, maçaneta e até mesmo da madeira – mesmo que não houvesse nenhum em especial – puderam ser vistos por seus olhos cansados e quase cegos pelo sol que não devia existir, rendeu-se.
Derrotado, caminhou o resto dos metros sozinho, e percebendo que a parede, satisfeita, não o empurrava mais e voltara para o lugar de antes, tocou na maçaneta dourada, pensando se Alice devia ter se sentido assim antes de entrar no País das Maravilhas. Seria engraçado se ela gritasse de dor, pensou incoerente, mas acho que eu só entraria em mais pânico e acabaria chorando como uma garotinha indefesa.
Quando a girou, prendeu a respiração. E ao ouvir o som seco da porta se abrindo, não pôde mais soltá-la. O cheiro de móveis sendo queimados junto de cera de velas penetrou suas narinas e o fez tossir. A porta se escancarou sozinha e lentamente, revelando então um quarto devorado em chamas.
Sua garganta ficou seca e tóxica e as lágrimas de seus olhos que caíam pela fumaça, secavam antes de chegarem ao meio das bochechas. Sentiu náuseas, medo, ansiedade, e, sobretudo, curiosidade. Achou que estava ficando insano, até vê-lo.
Ali, parado entre as chamas, mas não sendo devorado pelas mesmas, um homem estava. As roupas totalmente negras dançavam com o oxigênio que faltava – e mesmo assim dançavam, sem explicação lógica, apenas essa – e os cabelos marrons claros refletiam as labaredas laranja. Imponente como a parede que o empurrou por meio caminho até lá, a postura do homem era incrivelmente fina e selvagem. E como isso era possível, Touya não sabia.
Mas o pior disso era o sorriso.
Sorriso de quem cria o mundo.
(E as palavras ditas, mas não escutadas)
“Olá, Touya”.
Abriu os olhos, suando frio. Seu coração descompassado parecia querer explodir, e seu pulmão não ajudava muito. Tossiu, desconcertado, olhando para tudo e para todos – ainda que não houvesse ninguém ali. Logo reconheceu a sala como sendo sua, o livro que lia antes da campainha soar aberto em seu colo na mesma página em que havia parado, e o típico clima nublado de Geist. O silêncio continuava ali, interrompido apenas pelo seu arfar covarde.
Engoliu em seco, a boca seca, fechando os olhos. Só um sonho, resmungou para si mesmo, tentando não ter um ataque de pânico – se é que ele tinha isso – ali, sozinho e naquela hora. Não é necessário sentir medo. Pesadelos são normais. E reais também.
(Mas o dele, estava só começando).
Prolog - Ende

Fan se apresentando \o>
ResponderExcluirah, muito obrigada! 8D
ResponderExcluir[e estou com medo do blogspot que me deixa comentar agora o_o]
(comentário feito sem cafeína o suficiente correndo pelo meu sangue, então ignore as partes ilógicas, ok? xDb)
ResponderExcluirHelen T-T *bate*
Vc escreve bem demais, to morrendo de inveja, ok? ._.b
A história tá muuuuito boa e eu to ansiosa pelo capitulo 1 \õ/
O "homem das chamas" (seja ele quem for) tem uma atmosfera muito sensual rodeando ele, fiquei até sem ar o-o/
Pode ter certeza que vc conseguiu uma fã fidelissima para o seu blog <3
Forever and ever yours,
Pan :D